Sala de Estudos - Ricardo Sasaki




Espiritualidade cristã ou narcisismo projetado?

por Ricardo Sasaki

Não sou um jornalista. E apesar de ter alguns livros publicados e ter editado outros tantos, também não me considero um escritor profissional. Mas se eu fosse um jornalista, a primeira coisa que eu tentaria desenvolver seria a responsabilidade editorial, certificando-me de que aquilo que escrevo corresponde à verdade dos fatos e de que, no desejo de expressar minhas convicções pessoais, não atropelo com isso a realidade do outro.

É então com desapontamento que vejo a publicação de um artigo intitulado "Espiritualidade Budista y narcisismo ocidental" pela revista espanhola Arbil e assinada por Antonio Martinez. A síntese do artigo é de que ele consiste numa tentativa de justificar o crescimento do Buddhismo no Ocidente atribuindo aos seus recentes aderentes um sentimento narcisista, ou em palavras mais simples, quem se torna budista no ocidente são aqueles que olham apenas para o próprio umbigo.

No site da revista está escrito: "Arbil cede expresamente el permiso de reproducción bajo premisas de buena fe y buen fin". Como é com boa fé e bom fim que escrevo esta crítica, então reproduzo aqui o artigo integral, comentando-o parágrafo a parágrafo, e na esperança de que aqueles que lerem meus comentários reflitam sobre tais temas. Meu respeito pelo Catolicismo é profundo. Meu respeito por católicos pouco esclarecidos também. Já por exposições apologéticas pouco esclarecidas, tenho um pouco menos respeito.


Espiritualidad budista y narcisismo occidental

* http://www.arbil.org/(83)buda.htm

por Antonio Martínez

El occidental contemporáneo que se hace budista, en realidad está utilizando la sabiduría de Oriente como coartada espiritual, como aliño místico para su particular ensalada vital, elaborada básicamente con gigantescas dosis de narcisismo. El sujeto ilustrado del siglo XVIII, al llegar al final de su andadura, desemboca en lo que, refiriéndose a los años 70 del siglo XX, Tom Wolfe llamó "la década del yo"; en la "cultura del narcisismo" de los 80, según el título del célebre ensayo de Christopher Lasch; y en lo que, hacia 1991, Francis Fukuyama, en El fin de la Historia, denominó "el último hombre", que cumple la profecía nietzscheana sobre el empequeñecimiento ontológico del hombre occidental .

El dato es innegable: desde 1970, Buda ha triunfado en Occidente. Sobre todo en ciertos ambientes cosmopolitas y más o menos elitistas de nuestras grandes metrópolis, queda muy bien decir que uno "se ha hecho budista". Y nótese –detalle nada baladí- que nunca se dirá que tal o cual persona "se ha convertido al budismo". Está noción –conversión, convertirse- se reserva para las religiones de Occidente, pero nunca se aplica a las de Oriente. Así, podremos oír que alguien "se ha convertido al Islam", pero no que lo ha hecho al hinduismo o al budismo.

Primeiramente com relação ao uso do termo "converter-se" isso talvez seja correto na Espanha, mas na realidade brasileira escuta-se, sim, o termo em relação ao Buddhismo. Em segundo lugar, logo na primeira sentença se pode ver a intenção do autor ao escrever o artigo: causar preocupação no meio cristão através de frases bombásticas. Se pelo menos as frases fossem verdadeiras! Então ele diz: "Buda triunfou no Ocidente"! Hoje, a população buddhista no Ocidente é ínfima, equivalendo a uma pequena porcentagem da população e incomparável com a população que se diz cristã. Ainda assim, como que temendo o avanço da "heresia" que o autor certamente atribui ao Buddhismo, ele conclui certeiramente: "O dado é inegável"!. E complementa que o "fazer-se budista" ocorre sobretudo em "ambientes mais ou menos elitistas", numa intenção clara que já começar a incluir a tão utilizada dicotomia povo-elite frequentemente utilizada pelos católicos nas últimas décadas. Separando as pessoas em dois tipos, joga-se um público contra o outro, ao Buddhismo restando ser a "doutrina das elites". Como se não houvessem elites cristãs e católicas, como se aqueles mesmos que lêem uma revista cristã online pela internet já não fizessem parte de uma elite também...

Pues bien: precisamente esta diferencia semántica tiene una estrecha relación con la razón por la cual el budismo, entre ciertas élites urbanas, pero también en los medios de comunicación y a nivel popular, ha encontrado en las últimas décadas un eco tan favorable. Y es que una persona puede "convertirse" a una religión; pero el budismo no es una religión en sentido estricto, sino una mentalidad difusa, una sabiduría, una filosofía, una visión del mundo y de la vida humana. En el budismo se prescinde de la noción de Dios. Tampoco hay ninguna "Iglesia budista" institucionalizada, ni fronteras dogmáticas definidas, ni credo, ni rito oficial, ni sacerdocio o jerarquía, ni una autoridad suprema comparable con el Papa católico. De modo que, cuando alguien "se hace budista", en realidad no entra en ninguna Iglesia o religión tal y como Occidente entiende esta palabra, sino que sólo adopta una cierta espiritualidad.

Na contramão dos estudos de religião comparada ou mesmo da posição da própria ONU (Nações Unidas) com relação às religiões, os quais colocam o Buddhismo como uma das grandes tradições religiosas ancestrais do mundo, o autor não vê qualquer problema em afirmar que o Buddhismo não é uma religião. Mais ainda, ele nada mais consiste do que "uma mentalidade difusa". E com base em que o autor diz isso? Talvez por pensar que o Buddhismo seja "apenas" uma "sabedoria, filosofia, uma visão de mundo", o que seria um erro, pois o Buddhismo não é apenas isso. Mas não, para o autor o Buddhismo não é uma religião porque carece da noção de Deus. E a julgar pelos argumentos no decorrer do artigo, provavelmente ele pensa que não apenas se deve ter uma noção de Deus para se ser uma religião, mas é preciso ter uma noção particular e específica de Deus, o que acabará por colocar todas as religiões, menos a católica, como não sendo religiões, ou pelo menos não religiões completas e integrais.

É certo, como disse o autor, que quando alguém "se faz budista" ele não entra em nenhuma igreja ou religião. Porém isso também é verdade para milhares de pessoas que se dizem cristãs, as quais pensam que são cristãs porque acreditam em Jesus e isso ser o bastante, sem qualquer pensamento em pertencer formalmente a uma igreja. Isso não é uma caracterísitca dos "budistas ocidentais", mas de todo o ocidente. Atribui-la exclusivamente aos "novos buddhistas" é distorcer os fatos para encaixá-los em seus próprios preconceitos.

Mas é na frase "Tampoco hay ninguna "Iglesia budista" institucionalizada, ni fronteras dogmáticas definidas, ni credo, ni rito oficial, ni sacerdocio o jerarquía, ni una autoridad suprema comparable con el Papa católico", que o autor revela claramente sua desqualificação patente para escrever um tal artigo.

1. Há centenas de instituições buddhistas, e, apesar de não chamá-las de "igrejas", uma palvra de origem cristã, elas são chamadas de templos, mosteiros, zendos, viharas, gompas, etc.

2. Há, sim, fronteiras dogmáticas definidas, talvez não no sentido de que se alguém não as defende cortamos as cabeças dos incrédulos ou os queimamos em estacas, mas a claridade e a fortaleza de suas doutrinas é o que faz que se distinga de outros credos e práticas, sobrevivendo pelos últimos 26 séculos.

3. Certamente há ritos, práticas e cerimônias, os quais são diariamente executados e assistidos naqueles mesmos milhões de templos e mosteiros de todo o mundo. E há sacerdócio e hierarquia, pois que há monges e monjas, vivendo segundo uma regra monástica que existia muitos séculos antes de os cristãos sequer pensarem em criar um monasticismo para si próprios. E tais monges e monjas distribuem-se segundo uma hierarquia e são regidos por autoridades. Não, não há uma autoridade suprema para todo o Buddhismo, e nisso ele se assemelha à Igreja Ortodoxa Cristã. Mas talvez, para o autor, a Igreja Ortodoxa, mais antiga que a própria Igreja Católica Romana, também não seja uma religião, ou deveria ser desqualificada por não ter um único "papa"...

Assim, a pergunta que se impõe de forma gritante é: "como alguém que desconhece completamente fatos básicos do Buddhismo pode ter pensado em escrever um artigo sobre o tema?

Ahora bien: si todo esto es así y como fácilmente se entiende, el occidental que se hace budista y que practica su budismo sobre la mullida alfombra de su sala de estar, vive esa espiritualidad de modo absolutamente individual, privado, muy de acuerdo con el talante individualista del Occidente contemporáneo.

Novamente se torna claro como o autor tenta estender os limites dos fatos para criar a impressão no desavisado leitor de que o Buddhismo é algo individualista e de elite. Existem aqueles que se aproximam do Buddhismo e realmente vivem sua espiritualidade em sua sala de estar? Certamente que sim! E juntamente com eles há milhões de católicos que também vivem sua fé superficialmente, que se confessam no domingo e pecam durante a semana, que bebem o sangue de Cristo na Eucaristia e embebedam-se nos bares, que exaltam as virtudes de Jesus pela manhã e tiranizam o próximo no resto do dia. Isso é razão para criticar o Catolicismo? Devemos então escrever sobre o individualismo e a hipocrisia católica? Devemos publicar artigos denunciando o Catolicismo porque os maiores milionários dos EUA e da Europa se dizem cristãos? Será esse o padrão de comportamento que o autor deseja ser o modelo?

Desde el siglo XVIII, los occidentales emprendieron el camino del individuo y del subjetivismo; y, llegado el último tercio del siglo XX y decepcionados de la ciencia, la técnica y el progreso, añoraron la religiosidad perdida y la reencontraron justamente en la filosofía mística de Oriente, basada en la concentración, la meditación y la relajación. Pero, sobre todo, para el occidental contemporáneo que emerge hacia 1970 y llega hasta el año 2000, las religiones orientales ofrecen el decisivo atractivo de poderse practicar de modo individualista, es decir, según el pathos propio de la moderna cultura occidental, que es básicamente una cultura del individuo. Sin Dios y sin Crucificado; sin iglesias, dogmas, ritos ni festividades; también sin cielo ni infierno, y sin unos problemáticos siglos de historia con cuyos errores, contradicciones e incoherencias tener que cargar. Así pues, nada de esto: sólo yo y nada más que yo, en el salón minimalista de mi apartamento, sentado en la postura del loto, con los ojos suavemente cerrados y meciéndome entre el aroma del incienso y las ondas rítmicas de un CD de relajación.

É certo que muitos ocidentais têm se voltado para as religiões e filosofias orientais. E isso se deve não apenas ao crescente individualismo e subjetivismo, os quais a religião predominante na Europa do século XVIII não conseguiu conter. Todo um livro poderia ser escrito (e na verdade muitos o foram) explicando como a recusa secular da Igreja em discutir com a ciência, sua associação com as elites monárquicas e aristocráticas, seu misticismo extra-mundo que alienou o indivíduo comum do saber viver no momento presente com sabedoria e espiritualidade, etc.etc., levaram à alienação e fuga dos indivíduos e à procura por outras soluções em suas buscas pela verdade, seja ela científica ou espiritual.

O "pathos próprio da moderna cultura ocidental" surgiu dentro da civilização ocidental, civilização cunhada e erigida por dois mil anos de Cristianismo. Não seria mais saudável uma auto-reflexão sincera do que acusar os buddhistas ocidentais pelos males do mundo ocidental? E a própria Igreja não sofre hoje, ela mesma, por causa desse mesmo individualismo?  Pessoas hoje se convertem ao Cristianismo porque ele promete cura. Igrejas de todas as denominações multiplicam-se oferecendo soluções fáceis para conseguir emprego ou casamento.

E ainda assim, aqueles que buscam aprofundar sua espiritualidade através do Buddhismo precisam ler artigos como este que ridicularizam suas posturas de contemplação: "
en el salón minimalista de mi apartamento, sentado en la postura del loto, con los ojos suavemente cerrados y meciéndome entre el aroma del incienso y las ondas rítmicas de un CD de relajación". Ora, ora, Sr. Martínez. Os santos padres do deserto dos primeiros séculos, os Trapistas e as Carmelitas de Pés Descansos,  gerações de cristãos devotos sentaram em suas cadeiras, nas esteiras no chão, no solo arenoso das cavernas e de joelhos na catacumbas, "com olhos suavemente cerrados y meciéndome entre el aroma del incienso", sob as ondas rítmicas dos antigos cânticos entoados solitariamente ou dos corais gregorianos majestosos. E ainda hoje, em qualquer loja cristã se compra CDs de música e palavras cristãs. Será mesmo necessário, para firmar a própria fé, ridicularizar a de outros, e ainda utilizando de argumentos tão pouco pesquisados e aplicáveis a vocês mesmos? Não sou contra críticas. E há, sim, muita coisa criticável no espiritualismo/espiritualidade moderna. Mas quando criticamos temos uma dívida para com o próprio leitor em dar pelo menos uma explicação detalhada de porque achamos algo incorreto.

Tras unos meses de práctica, nuestro neo-budista occidental empieza a obtener unos interesantes réditos de su recién estrenada espiritualidad. Si se muestra concienzudo en sus ejercicios (pues combina budismo con yoga), se produce una mejora del estado psico-físico general, un aumento de la capacidad de concentración, una depuración de las miasmas psíquicas, un fortalecimiento del cuerpo, etc. Por otro lado, el concepto de la compasión universal hacia los que sufren, predicada por Buda, se puede encajar sin problemas con el sentido ético-solidario del hombre actual, que tanto ensalza, por ejemplo, la labor de las ONGs.

O neo-cristão dos países asiáticos e africanos também não começa logo a obter resultados interessantes de sua nova fé? E a caridade e compaixão do Catolicismo também se encaixa no "sentido ético-solitário" do homem atual? Ou não há compaixão entre os cristãos?

Pero, además –y esto ya resulta menos confesable-, el tener una espiritualidad budista viene muy bien a efectos de sentirse diferente y superior: él, en efecto, como neo-budista, no es un burdo materialista, un borrego consumista de gran centro comercial, un adicto a la telebasura.

Religião errada. Não é o Buddhismo que se coloca como religião para os escolhidos. Não é no Buddhismo que se diz que somente aqueles que escolhem segui-lo são salvos. Não é o Buddha que se diz escolhido e único entre os homens. Se alguém se sente diferente e especial, certamente não será aquele que sinceramente entra no Buddhismo. Talvez tenha entrado em alguma outra religião e o autor a confundiu?

 "Ser budista" proporciona status y caché intelectual, indica que se posee y cultiva una "complejidad interior", lo cual atrae intensamente al esnobismo del hombre contemporáneo.

"Ser cristão" no Sri Lanka, durante os 200 anos de colonização portuguesa proporcionava não só status, mas oportunidade de empregos. Nos anos de dominação espanhola em toda a América Latina, "ser cristão" proporcionava não apenas status e proximidade com os poderosos reis e emissários espanhóis, "los conquistadores", mas também a própria possibilidade de continuar vivo. "Ser cristão" até algum tempo no Brasil era poder entrar nas academias, nas organizações da elite, ou mesmo ter a possibilidade de melhores empregos e educação...

Luego, además, como en la sabiduría de Buda se prescinde de la idea de Dios, el neo-budista occidental no debe emprender ninguna peregrinación espiritual hacia fuera de sí mismo, no tiene que salir del amado caparazón narcisista de su subjetividad.

O que mostra novamente a desqualificação do autor no tocante ao Buddhismo, desconhecendo as peregrinações pregadas pelo próprio Buddha nos cânones. Ademais, não são os cristãos que dizem que o Reino dos Céus deve ser buscado em nós mesmos e que Jesus está no coração de cada um? Jesus então é um narcisista subjetivo?

No hay desgarros ni crisis, no se inicia ninguna larga marcha hacia un horizonte objetivo de pureza ontológica, no se libran duros combates espirituales, no se experimentan las tensiones y paradojas de la fe. Y tal vez lo mejor de todo: el budismo adaptado al uso de Occidente no plantea ningún serio desafío a las convicciones habituales del hombre moderno, que compatibiliza su nueva espiritualidad con su antigua e inamovible defensa de los anticonceptivos, de la mentalidad divorcista, de la sexualidad liberal, del aborto como cuestión fiada a la opción personal del sujeto; y, más en general, el budismo es compatible con su visión de la vida como singladura sin otro rumbo que la exploración infinita de los laberintos de la subjetividad.

Resta-me apenas sugerir que o autor frequente por algum tempo um centro buddhista sério.

Por lo tanto, el occidental contemporáneo que se hace budista, en realidad está utilizando la sabiduría de Oriente como coartada espiritual, como aliño místico para su particular ensalada vital, elaborada básicamente con gigantescas dosis de narcisismo. El sujeto ilustrado del siglo XVIII, al llegar al final de su andadura, desemboca en lo que, refiriéndose a los años 70 del siglo XX, Tom Wolfe llamó "la década del yo"; en la "cultura del narcisismo" de los 80, según el título del célebre ensayo de Christopher Lasch; y en lo que, hacia 1991, Francis Fukuyama, en El fin de la Historia, denominó "el último hombre", que cumple la profecía nietzscheana sobre el empequeñecimiento ontológico del hombre occidental. Este sujeto de ego hipertrófico y con un desaforado sentido de su propio yo, basa su vida en el siguiente lema: "Lo que yo deseo, lo que yo siento, lo que yo siento". Tal es su criterio de lo verdadero y de lo falso, del bien y del mal. Cualquier recordatorio de que existe una objetividad del ser, una estructura objetiva de la realidad independiente de las opiniones individuales, se considera un signo de fascismo filosófico (así, el progresismo contemporáneo ha llamado fascista a Susanna Tamaro). Y, puesto a elegir una religión, se diseñará una sin Dios, sin molestas objetividades, sin abismos ni compromisos profundos, sin inversiones a fondo perdido. De aquí nace el neo-budismo adaptado al gusto occidental.

O mesmo pode ser dito de qualquer ocidental que se aproxima de outra religiões, inclusive do próprio Catolicismo. O problema, como o autor quer sugerir e distorcer, não está no Buddhismo, mas no molde mental do homem ocidental moderno. O Buddhismo verdadeiro, em sua doutrina, treinamento, linhagem e disciplina não se presta a tais tipos de comportamentos como
"Lo que yo deseo, lo que yo siento, lo que yo siento". Se alguns dos homens e mulheres o distorcem, eles também o fazem igualmente com o Cristianismo.

Sin lugar a dudas, el mayor problema que tiene planteado el Occidente contemporáneo es de naturaleza espiritual. Consiste tal problema en un desarrollo descontrolado de la subjetividad, en un imperialismo del sujeto narcisista que, al dar rienda suelta, como "legítimas expresiones del yo", a los oscuros monstruos del psiquismo, fomenta por doquier una multiplicidad de fenómenos aberrantes. Ahora bien: entre los muchos elementos válidos que tiene la espiritualidad budista (la genuina, la que practica el hombre oriental, no la espuria del neo-budista occidental), se encuentra la negación del ego (que –cuidado- no es el "yo"), un riguroso programa de aniquilación del ego en cuanto que fuente de deseos egoístas, es decir, del sufrimiento y del dolor que Buda quiso superar. De modo que, si Occidente se tomara en serio a Buda, tendría que efectuar un riguroso examen de conciencia y recorrer un camino de ascesis.

Este, sem dúvida, foi o melhor parágrafo do autor. Primeiro por distinguir o verdadeiro Buddhismo das buscas superficiais de alguns ocidentais. Buscas, repito, que se dão também dentro do Cristianismo.

Pero este camino, si se recorre a fondo y en una verdadera búsqueda de la verdad, sólo puede desembocar...en el Gólgota, ante el escándalo y la "locura" del Crucificado. Un camino duro, por cierto, para el narcisista contemporáneo; pero sólo ese camino puede liberarlo de la tiranía que sobre él ejerce su propia subjetividad.

•- •-• -••• •••-•
Antonio Martínez

O autor, entretanto, põe tudo a perder, pois no final deixa claro o que pensa de todas as religiões não-cristãs. Para ele, qualquer ascese séria, qualquer caminho espiritual de verdadeira busca da verdade só pode desembocar... na fé que o próprio autor defende. E depois alguns cristãos se perguntam porque muitas pessoas deixam o Cristianismo...

Enfim, um artigo preconceituoso, sem pesquisa, evidente em sua apologética, parcial em suas conclusões e carente de auto-crítica. Um exemplo de como o diálogo religioso não deve ser feito e um estímulo para que homens de boa fé e consciência global redobrem seus esforços a caminho da tolerância religiosa com consciência e conhecimento.

•- •-• -••• •••-•
Ricardo Sasaki